Wednesday, July 29, 2015

Sopa doce

.e picante.

Não! Isto não é uma sopa sobremesa.


A sopinha de ontem tava doce igual batata doce. Ficou bem picante também e foi um pouco engraçado pois a cada colherada era preciso respirar um pouco, tudo isso por conta da pimenta - tipo jiquitaia -  que é cultivada pelas índias da etnia Baniwa.

{confira também esta receita fácil com a pimentinha}

O mini inhame não é uma nova variedade gourmet, não se preocupem! Haha. É porque ele realmente estava pequeno.

Sopa doce e picante

4 un batata doce tamanho médio
3 inhames pequenos
1 cebola picada
1 colher de sopa de óleo de coco - tenho usado este
2 cm de gengibre - ralar com casca
Sal do bom a gosto
1 pitadinha de Puxuri ralado OU noz moscada
1 pitadinha de pimenta baniwa
Água

1. Descasque a batata  e o inhame e pique em pedaços aleatórios.
2. Coloque cerca de 2 litros de água para ferver.
3. Em uma panela funda doure a cebola no óleo de coco, adicione o gengibre e deixe cheirar um pouquinho. Adicione o inhame e a batata, mexa e adicione a água até cobrir todos os ingredientes.
4. Assim que ferver abaixe o fogo, adicione o sal a gosto e cozinhe por cerca de 20 - 30 minutos.
5. Triture no liquidificador até virar um creme, volte para a panela e finalize com o o puxuri e a pimenta. Ajuste o sal e sirva.

Ps: Se o seu liquidificador tiver um copo de plástico espere a sopa amornar para bater ou - melhor - amasse os ingredientes e cozinhe mais um pouquinho até ficar mais homogêneo.

Na real boa companhia is the best ingredient, a refeição é mais um detalhe.

Tuesday, July 21, 2015

Os inusitados

.discos de erva-doce.


Foeniculum vulgaris 

As vezes sinto que a erva-doce não é muuuito bem aceita no paladar comum. Agora imagine suas folhas-cabelinhos, aquela folhagem farta que lembra capilares.

*ˆ$ˆ)(*!@

O que fazer com elas? Bom, particularmente adoro elas em sucos do tipo verde pois a tal planta acalma meu Vata, falei grego? Estude um pouco sobre os doshas e se gostar procure se reconhecer neles, é uma experiência no mínimo saudável.

No evento de sábado servimos o bulbo da erva-doce na salada e como sobrou suas folhas-cabelinhos de monte trouxe para casa. Hoje pela manhã estava com vontade de comer algo a base de aveia mas que não fosse tão comum e foi neste momento que as folhinhas da erva-doce me olharam de canto. Porque não?

Porque resistir ao inusitado?

Sim aveia com folhas de erva-doce, coloquei os dois no processador até virar um farelo levemente verde, nada muito pronunciado para uma primeira experiência, apenas a aveia suavemente doce, pronto. Foi só adicionar arroz cozido e um pouquinho de sal, formar os discos e dourar. É bem fácil:

1 xícara de aveia laminada orgânica
Folhas de erva doce
Sal marinho
Água
1 xícara de arroz cozido

1. Em um processador triture a aveia com as folhas.
2. Misture a aveia triturada com sal e um pouco de água até ficar úmido.
3. Triture o arroz no processador até formar uma massa pegajosa.
4. Misture tudo até formar uma massa e molde 5 discos.
5. Aqueça uma chapa de ferro até ficar BEM QUENTE e doure os discos em ambos os lados. Não usei gordura nenhuma para dourar, apenas depois para deliciar.

Pronto, é só servir.



Sunday, July 19, 2015

Bolo de macaxeira

.da série delícias de um liquidificador.


    Semana passada produzi comidinhas para o evento do projeto Tecendo Saberes que aconteceu na biblioteca Monteiro Lobato em São Paulo. O bufezinho foi servido no final da programação após bate-papo, cineminha e  contação de histórias. A Marie Ange Bordas, idealizadora do projeto, mostrou com seu trabalho a realidade de crianças do norte do país com o Manual das crianças do Baixo Amazonas (Cachoeira Porteira, Cuecé, Mondongo, São José e Silêncio) e também com o Manual das crianças Huni Kui (Acre). O material tem um conteúdo bastante rico e o evento mostrou para as crianças urbanas como vivem as crianças  dentro de outras culturas, como a quilombola e a indígena.

     Os ingredientes do norte do país são exóticos e as vezes desconhecidos pelas crianças (e adultos) de São Paulo e, por este motivo, decidi preparar um cardápio mesclando preparos "comuns" na cidade com ingredientes presentes na cultura das duas realidades em questão.

Antes do lanchinho fizemos uma roda para "tentar" mostrar e explicar alguns ingredientes, haha, confira:

    Foto: Lucas Calazans Luz

       A comunidade do baixo amazonas é uma região que pratica a extração da castanha do pará e por isso preparei receitas usando ela como base,  é o caso deste bolo. Aliás vamos a receita?

O bolo de macaxeira é um preparo muito comum em boa parte do Brasil. Usei como base a massa de macaxeira (aipim/mandioca), também conhecida como farinha de carimã ou massa puba. É basicamente uma farinha preparada a partir da mandioca fermentada, porém cada lugar tem um nome. Se você mora em São Paulo procure mercados especializados em ingredientes do norte ou use como alternativa  a mandioca ralada, funciona mas não fica tão leve.
Nesta receita usei para adoçar o açúcar demerara pois queria que a receita tivesse um aspecto claro amarelado já que o outro bolo foi a base de melado e ficou escuro. Se você quiser substitua o açúcar demerara por 1/2 xícara de melado ou açúcar de coco, funciona também!

Usei ovos orgânicos da Fazenda da Toca que apoiou o evento com os ovos e o suco!!! Gracias pessoal!

Bolo de Macaxeira

(1 bolo pequeno ou 12 individuais - experimente dobrar a receita para uma forma maior)

250g massa de macaxeira (farinha de carimã ou massa puba)
2 ovos orgânicos
300ml de creme de castanha*
3/4 xícara de açúcar demerara ou melado/açúcar de coco
1 colher de chá de cúrcuma/açafrão da terra em pó ou 1cm fresca
1 pitada de puxuri (se não encontrar use noz mosca
1/2 colher de sobremesa de fermento químico**
1 pitada de sal

1. Aqueça o forno e a 180 graus Celsius e unte uma forma de 20 cm de diâmetro.
2. Coloque tudo no liquidificador e bata até ficar cremoso, coloque na forma, decore com castanhas pela metade e leve ao forno por 20 minutos ou até ficar fofinho e dourado.
3. Espere esfriar e desenforme.

Servimos com café e suco de goiaba e manga ;)

* Coloque 3/4 xícara de castanha na água e deixe hidratar por algumas horas, escorra a água e bata com 150 ml de água no liquidificador, complete com água se for necessário chegar em 300 ml.
**Misture 2 partes de cremor de tártaro e uma de bicarbonato de sódio.

    
    Fim de festa e a equipe mais perfeita e divertida, sem eles seria impossível:
    Foto: Hamaram Nahohen


Monday, July 13, 2015

Romeu e Julieta

.juntos.

"O que mais é o amor? A mais discreta das loucuras, fel que sufoca, doçura que preserva." - Romeu
trecho de Romeu e Julieta William Shakespeare


Sorte é encontrar alguém que orne naturalmente com você, tipo tomate com manjericão, tangerina com cravo, abacaxi com hortelã, queijo com goiabada ou quem sabe um iogurte com goiaba.


Mês passado foi dia dos namorados e aproveitamos o dia na feira  para servir um delicioso Romeu e Julieta. Ao invés de queijo usamos o iogurte natural da Fazenda da Toca e no lugar da goiabada um doce cremoso que é naturalmente adoçado com o próprio açúcar da fruta. 



A receitinha romântica é bem fácil de fazer e não precisa ter grandes dotes culinários para executá-la. Usamos somente dois ingredientes: iogurte e suco goiaba.
A idéia principal da receita é a redução - que consiste basicamente em extrair a água dos ingredientes. O iogurte colocamos para escorrer o soro e o suco de goiaba é cozido - em fogo baixo - até evaporar 3/4 de seu líquido. O resultado são dois preparos com personalidade e que, juntos, ficam em perfeita união.

.um para o outro.

Romeu e Julieta
(2 porções)

1 L iogurte natural 
1 L de suco de goiaba (sem as sementes)* 


  1. Coloque o iogurte em um saquinho de algodão e amarre a  boca com um barbante, pendure, coloque um recipiente por baixo e deixe escorrer  por 4 horas o soro.
  2. Em uma frigideira de fundo grosso coloque o suco e leve ao fogo. Assim que ferver abaixe a chama e cozinhe lentamente. Mexa bem até evaporar parte da água e começar a desprender do fundo da panela.  O ideal é reduzir até ¼ do volume, o que resulta 250 ml de doce de goiaba.
  3. Retire do fogo e deixe esfriar.
  4. Sirva em taças o iogurte escorrido por baixo e o doce de goiaba por cima.
*Se você não encontrar as goiabas orgânicas na feira a Toca tem um suco de goiaba que ficou perfeito.