Monday, December 21, 2015

Creme de manga - receita de amor n.01

.em receitas de amor.


É um creme com o que tinha e ficou tão bom como café da manhã. Quis colocar manga e abacate e ele o iogurte e a canela, ficou perfeito!
Faz um tempo já, não sei quanto, talvez 1 ano. Acabei de achar o desenho.
Fizemos depois de fazer amor, um café da manhã no meio de qualquer tempo.

Se a manga tiver madura e o iogurte for sem açúcar não tem porque errar.
Para a versão vegan usei um bom leite de castanha do pará.

Tuesday, November 17, 2015

Champurrado - sobre milho e cacau

.resquícios culinários.


Sábado rolou a segunda aula para o grupo Juventudes do Sesc Sorocaba. Desta vez o tema foi cozinha mexicana que na minha opinião tem uma culinária bastante expressiva, foi bem legal a experiência.


O milho é a base da alimentação no México e compõe receitas tradicionais como tortillas, tamales e atoles. No Brasil ele também esta na tradição índigena e caipira mas foi difícil encontrar milho e fubá não transgênico em Sorocaba. Como evitei buscar ingredientes fora da cidade senti que precisava situar o grupo diante esta situação e assim começamos a aula com o filme Milho, aqui tem o trailler dele:





Vamos ao que interessa - México
Ilustração em nanquim do glifo Sa, uma das representações do atole na cultura Maia.


Atole é uma bebida encorpada geralmente engrossada com masa. A masa é uma massa tradicional feita com milho nixtamalizado onde as sementes passam por uma água alcalina que melhora seu sabor e digestão. O atole pode também levar rapadura e condimentos como pimenta, baunilha e canela. Além do milho outros ingredientes locais podem ser usados para encorpar a bebida como por exemplo a  chia.

Confira abaixo uma cozinheira que mostra como triturar o milho nixtamal conforme as origens. Bem interessante.



Quando o atole leva cacau é chamado de champurrado. Esta espécie de chocolate quente não é originalmente doce mas o tempo a deixou.


Ilustração do glifo de cacau em nanquim, theobroma cacau, ou kakaw na cultura Maia. Até que o formato da fruta lembra um peixe, né?

O cacau tem uma história interessante no México pois era sobretudo consumido através de uma bebida. Na cultura Maya chocola'j é um verbo para beber chocolate juntos, enquanto que na língua nauatle, dos Astecas, chocolātl significa água amarga por conta desta característica do cacau. Foram os europeus que criaram a receita de chocolate que conhecemos hoje.

     Sementes de cacau orgânico, um dos meus alimentos favoritos.


Já adianto para quem não esta acostumado que o champurrado é uma bebida forte e alimenta! Usei na receita da aula a massa de cacau --> um ingrediente usado na produção de chocolate e que também é conhecido como liquor.
Olha ele aí:



Toda aula de cozinha que dou coloco ela no meio pois considero importante as pessoas reconhecerem e principalmente aprenderem a usar.  

A massa ralada fininho faz o papel do cacau em pó ou pode ser derretida em banho maria como o chocolate. Sua composição é a semente de cacau triturada e só, durante o processo de moer a manteiga de cacau se solta da semente e forma esta massa linda.

Costumo comprar do Planeta Cacau que produz um cacau orgânico no sul da Bahia, mas para quem mora em em São Paulo na feira orgânica do Ibiraquera você encontra com o Virgílio uma massa de origem amazônica, o valor é mais salgado e o sabor é mais suave.

No inicio do ano usei uma massa em formato de bastão que a Marie trouxe lá da região do Baixo amazonas, confira:


Preparei docinhos no evento e a  aceitação foi muito boa entre as crianças e adultos. Na aula do Sesc a massa de cacau foi na nossa receita de champurrado, te conto!


Champurrado (atole de cacau)
* 3 xícaras *

Nesta receita ao invés de uma farinha de milho uso chia triturada para engrossar pois não gostei do sabor do fubá. A chia também é usada para engrossar o atole, chianatoli.

500 ml de água (se quiser mais cremoso use 1/2 de leite vegetal ou creme de leite fresco)
3 colheres de sobremesa de  chia recém triturada
3-4 colheres de sopa massa/liquor de cacau ralado ou chocolate 70%
Pimenta vermelha de sua preferência, sem a semente
1/6 fava de baunilha ou 2 gotas de extrato puro de baunilha
Rapadura  ralada a gosto

1.   Coloque 150 ml da água  em uma pequena panela de fundo grosso e leve ao fogo.
2.   Corte a pimenta de comprido, descarte as semente e coloque um pedaço que achar bom dentro da panela.
3.   Corte a fava de baunilha ao meio, raspe as sementes e coloque na água junto com a fava raspada 
4.   Em 100ml de água dilua a  chia/fubá até ficar uma pasta, adicione na panela e aqueça até ferver, abaixe o fogo e mexa com um fouet pequeno até engrossar, adicione o cacau, a rapadura e mexa bem até ficar aerado. Se preferir ajuste com mais espessante.

Na aula usei o dobro de chia para ficar com aspecto cremoso.


Curiosidades in loco:

Em agosto deste ano chefs de cozinha  pediram para parar o cultivo de milho transgênico no México, já no mês de outubro apicultores Mayas fizeram abaixo assinado para proibir cultivo de soja transgênica e agora em novembro foi proibido a soja.



(Este ano o Brasil aprovou um projeto que dispensa a rotulagem dos produtos que levam ingredientes transgênicos em sua composição, um desrespeito ao consumidor brasileiro que deveria no mínimo ter o direito de escolher. Por isso se você não quer consumir o ideal é estar atento a origem do alimento e buscar fontes seguras como produtores agroecológicos.)

Thursday, October 22, 2015

Creme de açai feito em casa

.da série delícias de um liquidificador.


Aquele dia levei preparos que fazem parte da cultura brasileira contemporânea e o açaí  também foi.
- Dá pra fazer açaí batido só com banana, sem o xarope?
- Já vem batido.

A popular  tigela de açaí, que leva a polpa da fruta batida com xarope de guaraná e banana, nem sempre é saudável. O xarope é extremamente doce e tem muito mais açúcar que guaraná.

A real é que preparando em casa você pode fazer com o que lhe parece mais conveniente para teu corpo. E, se for o caso de adicionar guaraná, por que não ele puro?

Ontem na aula do Sesc preparamos um açaí com o que foi encontrado pela cidade, a idéia era mostrar esta possibilidade e não uma receita em si. O Açaí não é uma fruta doce, mas se quiser um paladar doce podemos mesclar com outras frutas como uva, banana e até suco de tangerina.

creme de Açaí caseiro

3 porções

200g polpa de açaí
1 xícara de suco de uva orgânico sem açúcar
1 xícara de amoras
2-4 bananas - abacate também funciona muito bem

É só bater tudo colocar em uma cumbuquinha e finalizar com granola caseira, frutas, tapioca crocante ou o que preferir. Finalizamos o nosso com coco fresco torrado com cúrcuma, caqui de Piedade e um fio de mel que trouxe de São Joaquim.
Não coloquei guaraná pois já era noite, deixei opcional para cada um!

Confira outras receitas preparadas com açaí:

Suco roxo escuro
Suco roxo escuro n.02



Tuesday, October 20, 2015

Hambúrguer vegan de quinoa

.delícia fácil.



Foi mal, sei que preciso me desculpar pois já é a terceira receita de hambúrguer de quinoa do blog mas é que é tão fácil de fazer que compensa repetir muitas vezes.

Confira as outras:
Hambúrguer de quinoa n. 01
Hambúrguer de quinoa n. 02

Esta variação foi preparada em uma aula que aconteceu com o grupo Juventudes do Sesc Sorocaba e a galera aprovou! Fizemos um a base de batata e salsinha e o outro a base de mandioquinha e nirá.

Hambúrguer de quinoa da Juventude

1 xícara de quinoa cozida*
1/2 xícara de  mandioquinha cozida e amassada
Farinha de mandioca
Ervas (usamos nirá, salsinha e cebolinha)
Azeite de Oliva extra virgem
Sal

*Lave bem e a quinoa e cozinhe em água abundante até ficar macia, escorra.

1. Misture a quinoa com a mandioquinha e as ervas, acerte o sal e por último adicione a farinha de mandioca até dar a "liga" e consistência desejada. Lembre-se que menos é mais pois muita farinha pode deixar o preparo massudo.
2. Molde os hambúrgueres e em seguida doure, ambos os lados,  em uma frigideira bem quente com um fio de azeite ou óleo de coco.

Confira no um vídeo como preparar uma outra variação: um hambúrguer somente com quinoa e também como preparar a maionese de abacate que o acompanha deliciosamente.



Na aula servimos com um pão de hambúrguer caseiro, experimente fazer o seu em casa ;)

Wednesday, October 14, 2015

Suco Herbal

.fim de tarde refrescante.


Fez calor, sede. Sabe?
Final de tarde tomei providência e venci a preguiça ao preparar um suco com ervas refrescantes. Usei como base uma pêra por pessoa pois era o que tinha, mas você pode usar maçã, abacaxi, melão ou outra fruta clara e com bastante água.

Para refrescar usei folhas de erva-doce, suco de limão galego,  hortelã e um punhado de menta - tudo fresco, óbvio.

Mas aí você me pergunta qual a diferença entre menta e hortelã? Mentha é um gênero da família Lamiaceae e as espécies são muitas, você logo percebe observando formato, tamanho, cheiro e gosto.
Vale usar várias!


É só colocar no liquidificador:

Pêras (ou outra fruta)
Mentas
Hortelã
Cabelinho de erva-doce
Limão Galego - suco sem a semente

E para "empurrar" os ingredientes use um pepino ou abobrinha. Bate e em seguida coe em um tecido de linho ou voal. Pronto.

Costumo por muita salsinha no meu suco de ervas mas não tinha no jardim, precisa plantar.











Friday, October 9, 2015

Delícias na ilha + pão de açaí

.servir é bom.


Agora que a poeira baixou posso escrever o tanto que foi.

Foi Super tudo.

Semana retrasada  Kathy Cooper estava em Floripa e conduziu um workshop na escola da Kaká, a Samatva. O tempo mostra que as situações também se desenvolvem em espiral, a experiência do ano passado evoluiu e este ano servi o café da manhã após a prática de yoga. Danilo e Petra me ajudaram no processo e o resultado foi interessante.

Começava a praticar um pouco mais cedo para conseguir sair a tempo de montar tudo, e só um dia consegui fazer a prática de asanas completa, os outros dias eu preferi fazer menos e ter mais calma na hora de servir. Em outras épocas já cometi a experiência de fazer tudo e querer mais mas nesta loucura atual menos é mais.



Confira as fotos da Kike Kreuger:


         Olha ele aí! O caqui desidratado - inteiro - da região de Piedade apavorou, quem provou sabe. É uma iguaria japonesa muito antiga e muito doce, todo o açúcar vem da desidratação dos açúcares da própria fruta, levei de um produtor aqui da região perto de casa pois imaginei que seria uma novidade para o pessoal de Floripa e de outras partes do Brasil que viajam justamente para praticar yoga ali.


          O muesli sirvo sempre, acho um alimento fácil e maravilhoso pois você pode montar com os ingredientes que preferir e alimenta.


     
        Após a prática era o momento de todos se alimentarem e depois tinha mais uma aula focada em temas específicos da prática - Ashtanga estilo Mysore. Um dia por conta dos pranayamas a comida foi servida mais tarde e optei por servir opções mais salgadas como a Torta de abóbora - com massa a base de batata doce - e a salada Crók.

       No dia da Torta de maçã com gengibre e cúrcuma e do Creme de framboesa com a Granola Alegria tudo ficou naturalmente mais atraente. Quando o café acabou alguém avisou que era o dia de entrada da Primavera, sem querer comemoramos a entrada desta estação usando flores, pura conexão.



   

Este lindo da foto intitulamos Mingau feminino  e colocamos junto com a chia - que hidratava em leite de girassol -  pétalas de hibiscus (sabdariffa) desidratadas.
Ao hidratar a flor formou focos de puro amor. Não sei. Petra e eu sentimos que algo de feminino estava pelo ar, talvez fosse a influência da teacher que é um doce e tem algo de tão inspirador. Além da flor e do amor acrescentamos cassis desidratado e no dia seguinte finalizamos com amoras orgânicas, bananas maduras e mel da região. É simples, mas feminino, rs.



      Petra fez pra gente limão rosa - dali da casa - com cravinhos para espantar as moscas, olha que lindos:



  Danilo trouxe Jatobá e preparamos Cookies e o Mingau Tobá. Pra quem não conhecia ficou conhecendo este ingrediente de aroma intenso e textura única.



 
  O Açaí do último dia ficou gostoso com a granola Samatva, mas não fez tanto sucesso quanto o pão de açaí na chapa com óleo de coco.
   A foto do pão não ficou tão sensacional pois foi eu mesma que fiz (e não a Kike), mas o sabor e textura agradou. Não foi a primeira vez que preparei este pão, desde 2012 venho amassando ele  e posso te dizer que dá certo usando a polpa da fruta, em pó ou liofilizado. O foco é entender como funciona o processo de um bom pão e como incluir ele - o açaí - na receita. Este ano cheguei a  serví-lo no evento da Marie na Biblioteca Monteiro Lobato e teve boa aceitação, a cor é similar ao pão australiano que leva malte, sabe?



     Como fermento usei um que preparei com o caldo de cana, por indicação da Mariana. Para entender mais o que é uma cultura que produz a massa azeda confira aqui. Se você não tem uma massa azeda/fermento vou te explicar como fazer a que usei na receita deste pão:

  250 ml de caldo de cana
  2-3kg farinha de trigo orgânica, aproximadamente
  água boa

Já adianto que o ideal é iniciar o processo a noite ou pela manhã pois este sistema que costumo fazer tem uma alimentação de 12 em 12 horas a uma temperatura de 26 graus aproximadamente.

1. Deixe o caldo de cana de 2 a 3 dias fora da geladeira ou até fermentar, você percebe pelo cheiro. Se onde você morar for muito quente, no nordeste por exemplo, pode ser que fermente muito rápido, já na região sul pode levar mais que 3 dias. Pois bem vamos ao próximo passo.
2. Transfira o caldo de cana fermentado para uma bacia funda, você vai perceber um gás nele como se fosse refrigerante, e então adicione 250g de farinha de trigo. Eu usei uma branca e no decorrer do processo fui adicionando a integral.
3. Amasse bem até formar uma massa, polvilhe um pouco de farinha, cubra com um pano e deixe descansar em local fresco e arejado por 12 horas.
4. Após o descanso você vai ver que a massinha cresceu um pouco e agora precisamos alimentar ela novamente para continuar o processo de criação do fermento. Pese e adicione a mesma quantidade de farinha, no caso 500g de farinha e 500 ml de água. Misture bem até formar uma massa, polvilhe farinha e deixe novamente fermentar por 12 horas.
5. Você precisa seguir este processo até que a massa aumente o dobro ou mais dentro deste período de 12 horas, quando isto acontecer teu fermento está pronto e aí pode começar a usar nas receitas. Pode ser que a massa comece a ficar grande demais para a sua produção caseira e, neste caso, quando for alimentar descarte metade da massa e alimente a metade restante. Uma outra maneira de fazer, ao invés do esquema 12-12 é alimentar a massa toda vez que você perceber que ela está em seu ponto máximo, ou seja antes de começar a "murchar". É um pouco esquisito de explicar para quem nunca fez um fermento antes mas na real faz muitos anos que os homens estão fermentando pão no mundo e existem muuuuuuuuuitas receitas para iniciar um processo de fermentação, é um estudo muito interessante.

Ok! Uma vez que você tem a massa azeda pronta você vai precisar de:

250g massa azeda
1-2kg farinha de trigo orgânica (pode usar branca, integral ou as duas misturadas)
4-6 colheres de sopa de açaí orgânico liofilizado ou 300g de polpa diluída na quantidade de líquido
Água boa
Sal do bom

1. Misture a massa azeda com 500g de farinha de trigo e aproximadamente 400 ml de água, misture até formar uma massa macia, polvilhe farinha e deixe dobrar de tamanho, dependendo da temperatura do seu lugar e da força do seu fermento pode levar 6 horas ou até 12 horas. Uma vez que a massa dobrou o volume você deve pesar e adicionar o dobro de farinha, o açaí, o sal e água suficiente para formar uma massa macia. 
2. Sove bem a massa e deixe dobrar de volume em local arejado. Assim que crescer molde os pães e coloque em assadeiras, deixe fermentar mais um tempinho até crescerem e então asse em forno pré aquecido a 200 graus.

Não é tão fácil, mas para quem gosta de fazer pão vale, eu mesma amo. Recentemente descobri que Hanny Guimarães está fazendo maravilhas com pães, ela é uma jornalista fantástica que conheci na época que estava desenvolvendo cardápio para o The Gourmet Tea, na época ela era especialista em chás mas agora pelo jeito seu foco são os pães, trabalho lindo!






Florianópolis sempre me recebe de braços abertos e me acolhe, só tenho que agradecer.

Sunday, September 13, 2015

Yoga + Café da manhã em Floripa

.delícias nômades.






Em breve estaremos preparando - temporariamente - um café da manhã em Florianópolis na escola de yoga da Kaka, a Samatva Yoga. A ocasião será um workshop de Ashtanga Yoga com a maravilhosa Kathy Cooper. Quem não participar pode ir somente para o café ;) e dar um abraço na gente!

O café da manhã será simples, caseiro e feito com muito amor. Estarei com o projeto granola durante o evento ;)


Local: Samatava Yoga
Data: 19 - 24 setembro


Sunday, August 30, 2015

Paz, Amor e Granola

.caseira.



Que história é essa de fazer livro de Granola.
Nesta altura do campeonato é um tanto quanto estranho visualizar como tudo isso começou mas vou tentar.


  (granola Kruah!)

Foi uma espécie de estimulo local, te explico. 
Quando fui convidada para participar do bazar do MACS levei entre outras coisas algumas granolas vegans a base de amaranto e foi tudo embora. Depois de um tempo recebo um sms: "Rita, aqui é fulana de tal e gostaria de comprar mais granola...como fazemos?". Expliquei que não fazia granolas para vender e que foi apenas uma ocasião. Ela insistiu.
Quando me dei conta já tinha outros clientes e após algumas fornadas comecei a perceber que não tinha o menor sentido eu virar uma "fazedora de granolas". Afinal já executava muitas outras coisas que me davam mais entusiasmo, então o que fazer? Pensei que as pessoas pudessem usufruir deste preparo e assim comecei a anotar as receitas e vender junto com a granola. E porque não um livro com elas?

Granola - um projeto independente é um projeto de livro de receitas que começou no início deste ano e tem como propósito a realização de um material - impresso e digital  - de maneira independente e exclusivamente com receitas de granola e variações de apresentações e formatos como triângulos e as populares barrinhas.

Mas Porquoi?
A granola é um "símbolo" da alimentação saudável mas que foi devorada pela indústria e muitas vezes leva ingredientes nem tão saudáveis como conservantes, óleos refinados e aromatizantes artificiais. E por outro lado é um preparo relativamente fácil de fazer. 
Com estas sugestões de receitas gostaria de inspirar as pessoas a serem mais independentes nas escolhas e nos preparos de suas granolas e por isso gostaria de passar esta idéia através de um livro. Afinal granola caseira é uma delícia. 


   (granola amore)

O que é a granola, ora bolas.
Em latim granum é semente. A granola, intitulada primeiramente como Granula, foi um preparo desenvolvido em 1863 por Dr. James Caleb Jackson onde o cereal era assado até ficar crocante e posteriormente servido frio. Não demorou muito para Dr. John Harvey Kellogg copiar a idéia e reproduzir a receita em sua própria clínica, para não ter problemas legais mudou o nome e registrou como Granola. Em 1889 Kellogg já estava vendendo 2 toneladas do cereal por semana, pode? Eu não quero ser igual a ele, Calma!!!
Atualmente o único país que tem a patente para o nome Granola é a Australia.
Muita gente confunde mas a granola é diferente do muesli, ela é assada e crocante enquanto o muesli é um preparo cru que passa pelo demolho.

Paz, amor & Granola 
O movimento hippie contribui para a fama da granolaDurante o festival Woodstock entre tanta dança e curtição muitos esqueceram de levar comida e a organização teve problemas em incluir estrutura de alimentação no orçamento inicial do evento - o que trouxe a escassez. Como o local era distante e não tinha água corrente, luz elétrica e fornecimento de comida a granola ajudou a suprir a fome do público, afinal tem boa durabilidade e é bastante energética. E assim ela virou a queridinha entre os hippies ;)

Desenvolvimento
As receitas já estão sendo desenvolvidas e inclusive vendidas. Quem compra ajuda a financiar o desenvolvimento de uma receita e como brinde já ganha a receita. Neste processo atual também já estou testando as possibilidades de impressão e diagramação. Procuro usar uma variedade de ingredientes de forma que fique claro as possibilidades existentes. Muitos ingredientes são orgânicos e de origem agroecológica. Ainda não sei se vai ter fotos ou desenhos, só sei que vai ter granola de todos os tipos vegan, sem glúten, com glúten, crua, viva, assada, sem açúcar, adoçada... 


(creme de abacate e especiarias + calda de cacau + granola latina)

Os lotes
Os lotes de granola são pequenos, em torno de 5 a 25  potes por receita no máximo. A idéia inicial era completar 15 receitas e, na altura deste post, estou finalizando a 09 - Granola Asteca - e estou sentindo que vou ultrapassar a meta. A Granola Batuta - primeira receita de granola do blog - não foi comercializada mas  financiada quando ganhou vida com o iogurte natural orgânico da Toca, e por isso ela vai entrar no projeto.

                                                                                       
        (granola ouro)                                        
         (granola chocolate)

Diversidade
Comecei assando as granolas em forno à lenha, depois migrei para o forno a gás e atualmente estou nas receitas preparadas em desidratador elétrico e o que vem depois não posso mais contar pois ainda precisa ser realizado.

Para quem não cozinha fica difícil entender que o processo é simples, mas ao fazer duas ou três receitas já é possível entender o processo de elaborar uma granola e quando você menos esperar vai produzir a própria granola em casa. A parte boa de aprender  a fazer é que você pode elaborar uma personalizada com os ingredientes que são ideais para o seu organismo e que estão de acordo com a realidade ao seu redor.


       (triângulos de quinoa e amaranto)

Assim que conseguir finalizar as receitas a parte da produção do material impresso provavelmente será através de financiamento coletivo ou patrocínio, estou aberta. Por enquanto a elaboração - que consiste em desenvolver, testar/produzir, padronizar, escrever e distribuir esta sendo financiada pela própria venda de granolas. 

Se você quiser participar do processo adquirindo uma granola você pode me contatar pelo email: pratopapel@gmail.com ou quando sobram algumas disponibilizo pela lojinha.

Logo mais tem mais ;)



+:NY Times
Huffington post


Friday, August 28, 2015

Sopa Terra

.delícias de segunda a noite.

Quando a gente conhece bem a pessoa fica um pouquinho mais fácil de agradar com uma receita. Você que cozinha sabe, né? Mistura alguns ingredientes que ele aprecia, boa intenção, uma generosa pitada de presença e pronto! Deu certo.

Cozinhar pode ser um ato de amor, ou só é.

Ele me disse que a sopa deveria se chamar Terra e agora olhando para os ingredientes acho que tem a ver. Pois sim, temos batata, gengibre e cebola, ingredientes que se desenvolvem praticamente na terra. A cara dele.

4 porções

2 un de batata doce
1 porção de cogumelo shitake
1 cm de gengibre ralado com casca
2 un de cebola roxa
1 punhado de acelga japonesa
sal a gosto
1 pitada de pimenta baniwa - tô viciada!
Azeite para finalizar

1. Coloque 1,5 litros de água para ferver, enquanto isso descasque as batatas e corte-as em rodelas e em seguida em quatro, ou seja, "em quartos". Coloque na água e assim que ferver abaixe o fogo.
2. Fatie a cebola e adicione na água com o gengibre e prossiga adicionando os demais ingredientes.
3. Corte a parte fibrosa do talo do shitake e descarte, com ajuda de um pano ou papel toalha retire resíduos de terra e fatie os cogumelos ao meio, coloque na panela, adicione sal e deixe cozinhar por 5 minutos.
4. Fatie a acelga e adicione na sopa, mexa e desligue. Finalize com uma pitada de pimenta e um bom fio de azeite. Pronto pode servir.


Wednesday, July 29, 2015

Sopa doce

.e picante.

Não! Isto não é uma sopa sobremesa.


A sopinha de ontem tava doce igual batata doce. Ficou bem picante também e foi um pouco engraçado pois a cada colherada era preciso respirar um pouco, tudo isso por conta da pimenta - tipo jiquitaia -  que é cultivada pelas índias da etnia Baniwa.

{confira também esta receita fácil com a pimentinha}

O mini inhame não é uma nova variedade gourmet, não se preocupem! Haha. É porque ele realmente estava pequeno.

Sopa doce e picante

4 un batata doce tamanho médio
3 inhames pequenos
1 cebola picada
1 colher de sopa de óleo de coco - tenho usado este
2 cm de gengibre - ralar com casca
Sal do bom a gosto
1 pitadinha de Puxuri ralado OU noz moscada
1 pitadinha de pimenta baniwa
Água

1. Descasque a batata  e o inhame e pique em pedaços aleatórios.
2. Coloque cerca de 2 litros de água para ferver.
3. Em uma panela funda doure a cebola no óleo de coco, adicione o gengibre e deixe cheirar um pouquinho. Adicione o inhame e a batata, mexa e adicione a água até cobrir todos os ingredientes.
4. Assim que ferver abaixe o fogo, adicione o sal a gosto e cozinhe por cerca de 20 - 30 minutos.
5. Triture no liquidificador até virar um creme, volte para a panela e finalize com o o puxuri e a pimenta. Ajuste o sal e sirva.

Ps: Se o seu liquidificador tiver um copo de plástico espere a sopa amornar para bater ou - melhor - amasse os ingredientes e cozinhe mais um pouquinho até ficar mais homogêneo.

Na real boa companhia is the best ingredient, a refeição é mais um detalhe.

Tuesday, July 21, 2015

Os inusitados

.discos de erva-doce.


Foeniculum vulgaris 

As vezes sinto que a erva-doce não é muuuito bem aceita no paladar comum. Agora imagine suas folhas-cabelinhos, aquela folhagem farta que lembra capilares.

*ˆ$ˆ)(*!@

O que fazer com elas? Bom, particularmente adoro elas em sucos do tipo verde pois a tal planta acalma meu Vata, falei grego? Estude um pouco sobre os doshas e se gostar procure se reconhecer neles, é uma experiência no mínimo saudável.

No evento de sábado servimos o bulbo da erva-doce na salada e como sobrou suas folhas-cabelinhos de monte trouxe para casa. Hoje pela manhã estava com vontade de comer algo a base de aveia mas que não fosse tão comum e foi neste momento que as folhinhas da erva-doce me olharam de canto. Porque não?

Porque resistir ao inusitado?

Sim aveia com folhas de erva-doce, coloquei os dois no processador até virar um farelo levemente verde, nada muito pronunciado para uma primeira experiência, apenas a aveia suavemente doce, pronto. Foi só adicionar arroz cozido e um pouquinho de sal, formar os discos e dourar. É bem fácil:

1 xícara de aveia laminada orgânica
Folhas de erva doce
Sal marinho
Água
1 xícara de arroz cozido

1. Em um processador triture a aveia com as folhas.
2. Misture a aveia triturada com sal e um pouco de água até ficar úmido.
3. Triture o arroz no processador até formar uma massa pegajosa.
4. Misture tudo até formar uma massa e molde 5 discos.
5. Aqueça uma chapa de ferro até ficar BEM QUENTE e doure os discos em ambos os lados. Não usei gordura nenhuma para dourar, apenas depois para deliciar.

Pronto, é só servir.



Sunday, July 19, 2015

Bolo de macaxeira

.da série delícias de um liquidificador.


    Semana passada produzi comidinhas para o evento do projeto Tecendo Saberes que aconteceu na biblioteca Monteiro Lobato em São Paulo. O bufezinho foi servido no final da programação após bate-papo, cineminha e  contação de histórias. A Marie Ange Bordas, idealizadora do projeto, mostrou com seu trabalho a realidade de crianças do norte do país com o Manual das crianças do Baixo Amazonas (Cachoeira Porteira, Cuecé, Mondongo, São José e Silêncio) e também com o Manual das crianças Huni Kui (Acre). O material tem um conteúdo bastante rico e o evento mostrou para as crianças urbanas como vivem as crianças  dentro de outras culturas, como a quilombola e a indígena.

     Os ingredientes do norte do país são exóticos e as vezes desconhecidos pelas crianças (e adultos) de São Paulo e, por este motivo, decidi preparar um cardápio mesclando preparos "comuns" na cidade com ingredientes presentes na cultura das duas realidades em questão.

Antes do lanchinho fizemos uma roda para "tentar" mostrar e explicar alguns ingredientes, haha, confira:

    Foto: Lucas Calazans Luz

       A comunidade do baixo amazonas é uma região que pratica a extração da castanha do pará e por isso preparei receitas usando ela como base,  é o caso deste bolo. Aliás vamos a receita?

O bolo de macaxeira é um preparo muito comum em boa parte do Brasil. Usei como base a massa de macaxeira (aipim/mandioca), também conhecida como farinha de carimã ou massa puba. É basicamente uma farinha preparada a partir da mandioca fermentada, porém cada lugar tem um nome. Se você mora em São Paulo procure mercados especializados em ingredientes do norte ou use como alternativa  a mandioca ralada, funciona mas não fica tão leve.
Nesta receita usei para adoçar o açúcar demerara pois queria que a receita tivesse um aspecto claro amarelado já que o outro bolo foi a base de melado e ficou escuro. Se você quiser substitua o açúcar demerara por 1/2 xícara de melado ou açúcar de coco, funciona também!

Usei ovos orgânicos da Fazenda da Toca que apoiou o evento com os ovos e o suco!!! Gracias pessoal!

Bolo de Macaxeira

(1 bolo pequeno ou 12 individuais - experimente dobrar a receita para uma forma maior)

250g massa de macaxeira (farinha de carimã ou massa puba)
2 ovos orgânicos
300ml de creme de castanha*
3/4 xícara de açúcar demerara ou melado/açúcar de coco
1 colher de chá de cúrcuma/açafrão da terra em pó ou 1cm fresca
1 pitada de puxuri (se não encontrar use noz mosca
1/2 colher de sobremesa de fermento químico**
1 pitada de sal

1. Aqueça o forno e a 180 graus Celsius e unte uma forma de 20 cm de diâmetro.
2. Coloque tudo no liquidificador e bata até ficar cremoso, coloque na forma, decore com castanhas pela metade e leve ao forno por 20 minutos ou até ficar fofinho e dourado.
3. Espere esfriar e desenforme.

Servimos com café e suco de goiaba e manga ;)

* Coloque 3/4 xícara de castanha na água e deixe hidratar por algumas horas, escorra a água e bata com 150 ml de água no liquidificador, complete com água se for necessário chegar em 300 ml.
**Misture 2 partes de cremor de tártaro e uma de bicarbonato de sódio.

    
    Fim de festa e a equipe mais perfeita e divertida, sem eles seria impossível:
    Foto: Hamaram Nahohen


Monday, July 13, 2015

Romeu e Julieta

.juntos.

"O que mais é o amor? A mais discreta das loucuras, fel que sufoca, doçura que preserva." - Romeu
trecho de Romeu e Julieta William Shakespeare


Sorte é encontrar alguém que orne naturalmente com você, tipo tomate com manjericão, tangerina com cravo, abacaxi com hortelã, queijo com goiabada ou quem sabe um iogurte com goiaba.


Mês passado foi dia dos namorados e aproveitamos o dia na feira  para servir um delicioso Romeu e Julieta. Ao invés de queijo usamos o iogurte natural da Fazenda da Toca e no lugar da goiabada um doce cremoso que é naturalmente adoçado com o próprio açúcar da fruta. 



A receitinha romântica é bem fácil de fazer e não precisa ter grandes dotes culinários para executá-la. Usamos somente dois ingredientes: iogurte e suco goiaba.
A idéia principal da receita é a redução - que consiste basicamente em extrair a água dos ingredientes. O iogurte colocamos para escorrer o soro e o suco de goiaba é cozido - em fogo baixo - até evaporar 3/4 de seu líquido. O resultado são dois preparos com personalidade e que, juntos, ficam em perfeita união.

.um para o outro.

Romeu e Julieta
(2 porções)

1 L iogurte natural 
1 L de suco de goiaba (sem as sementes)* 


  1. Coloque o iogurte em um saquinho de algodão e amarre a  boca com um barbante, pendure, coloque um recipiente por baixo e deixe escorrer  por 4 horas o soro.
  2. Em uma frigideira de fundo grosso coloque o suco e leve ao fogo. Assim que ferver abaixe a chama e cozinhe lentamente. Mexa bem até evaporar parte da água e começar a desprender do fundo da panela.  O ideal é reduzir até ¼ do volume, o que resulta 250 ml de doce de goiaba.
  3. Retire do fogo e deixe esfriar.
  4. Sirva em taças o iogurte escorrido por baixo e o doce de goiaba por cima.
*Se você não encontrar as goiabas orgânicas na feira a Toca tem um suco de goiaba que ficou perfeito.